Às vezes, sinto falta… – Por @AnimandoC
Hoje, tenho a honra de receber no “Retratos” a querida amiga Ana Barcellos!
Seja muito bem-vinda por aqui, Ana! Obrigada por ter aceitado o convite…
Apreciem!
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Às vezes, sinto falta
De um tempo para ficar sozinha
De um momento para fazer o que eu quiser
Mesmo que o que eu queira
Seja fazer absolutamente nada
[Saudade de não fazer nada]
«»
Sinto falta de dormir quando tenho sono
E de continuar dormindo quando o sono ainda não foi suficiente
«»
Falta de poder ficar triste
sem que me cobrem que fique alegre
sem que achem que há algo mais por trás da minha tristeza
e assim acabem fazendo com que haja mesmo.
«»
Sinto falta de poder ser plena
Com meus altos e baixos
De poder errar
Poder ousar mais
Falhar sem ser censurada
Dizer qualquer besteira
Sem que digam: “esperava isso de qualquer um, menos de você”
[Sinto falta de ser humana]
«»
Falta de poder ser eu mesma
Sem ser julgada a cada passo
Sem o peso das expectativas
«»
Falta de não precisar dar satisfação a ninguém
A não ser a mim mesma
Dos meus atos
Dos meus sentimentos
Dos meus pensamentos
E do dinheiro que gasto
«»
Sinto falta de poder ser arrogante
De poder achar que sou boa no que faço
Sem precisar fingir que não sou
Porque isso faz com que pessoas se sintam humilhadas
Por causa de suas próprias limitações
«»
Falta de poder me olhar no espelho e me achar bonita
De ler o que escrevo e poder me achar inteligente
[Falta de não precisar ser humilde]
«»
Sinto falta de pessoas maduras
Que saibam que discutimos ideias
E não os donos das ideias
«»
Falta de pessoas que conversem sobre coisas complexas
Sentimentos complexos
Sem medo da profundidade
E sem preconceitos
[Ah! Como sinto falta de poder viver sem preconceitos...]
«»
Falta de um mundo com menos televisão
«»
Sinto falta
De poder ser mais sincera
Sem que isso fira susceptibilidades
[Cansada de susceptibilidades]
«»
Falta de quem queira compartilhar uma vida com paixão
Que queira construir coisas que façam diferença
Que não tenha medo de ser feliz
Nem de quebrar alguns ovos
Ou queimar pontes
«»
Sinto falta que as pessoas tenham mais coragem
Para que quem a tenha não destoe e pareça maluco
«»
Sinto falta de poder chorar mais.
[Mas nem quero chorar mais]
«»
Às vezes sinto falta de respirar
E, às vezes, só às vezes, sinto falta de mim…
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Ana Barcellos é mãe de uma pequena garotinha. Natural de Porto Alegre, e pedagoga, descobriu aos 28 anos que tinha hepatite C. Desde então, criou o blog Animando-C, um espaço na internet dedicado à informação sobre a hepatite, que utiliza para estimular a reflexão, compartilhar experiências e, principalmente, mostrar que é possível fazer uma releitura da doença e viver de uma maneira mais positiva.
Twitter: @AnimandoC
Blogs: Apenas Mulheres de Verdade e Animando-C













Caramba, não conhecia ainda essa veia poética da Ana. Os textos do Animando-C e do Apenas Mulheres de Verdade não escondem a qualidade do que ela escreve, mas é bom descobrir novas facetas das pessoas que admiramos.
Espero novos textos da Ana por aqui no Retratos da Alma, um blog do qual já sou leitor e que acompanharei mais de perto agora que minha amiga posta por aqui também.
Minha querida Ana!
É uma honra recebê-la hoje aqui no Retratos, e confesso que, quando você aceitou o meu convite, me senti muiiiito privilegiada!
Admiro suas letras e seus rastros, por onde quer que passe… Suas ações sociais são fantásticas e, principalmente, VOCÊ é uma pessoa sem igual…
Seu texto reflete muito isso, com sentimentos mais do que plausíveis às indagações e necessidades de todo ser humano…
Eu também sinto falta de tudo isso que expressou acima e nem sempre ela pode ser suprida!! O jeito é ir vivendo e aprendendo, né querida?
Obrigada pelo lindo poema e espero te ver por aqui mais vezes!!
Um beijo carinhoso e especial!
…é tudo muitoooooo lindo por aqui, tudo o que vejo, tudo o que leio, tudo o que acho e percebo. Por aqui…vou ficando, e gosto de ficar.
Lindo textoooooooooooo!
bjosssssss
Olá,
Muito bonita a poesia da Ana..
Dá uma leveza na leitura…
Abraço
Olá, Ana!
Prazer em conhecê-la! Sou mãe da Taty e ela sempre fala muito bem de você!
Adorei conhecer suas letras, simplesmente admiráveis… e muito verdadeiras também!
Também sinto falta de muita coisa, mas infelizmente a gente se acostuma… É a vida!
Beijos, parabéns!
Uma conterrânea. Coisa boa…
e ainda deixa uma poesia tão bem escrita.
Tapas com luvas de pelica são necessários.
Gostei
Beijo, Ana.
Õ, Taty Chefinha, onde que andava essa moça bonita dona de uma poesia introjetiva e que cala n’alma, que vc inda ñ a tinha convidado? rs
Grato por repartir conosco suas letras, Ana, anjo C!
Bem vinda!!
Xêro!!!
Super Bem vinda a este bando de loucos, ops, poetas
Ando sentindo falta de tantas coisas…
Falta de quando tinha tempo
Falta de quando não tinha medo do pós
Enfim… Adorei o post!
Beijos // Boa sexta!
Oi Ana…
É um prazer conhecer um pouquinho de você por meio de suas letras tão bem ditas e escritas…
E que delícia ler este fragmento do retrato de sua alma; que aliás reflete os de tantas outras…
E como costumo dizer: não estava vazia; transbordava faltas!
beijocas-boas-vindas!!!
Ana,
Adorei sua poesia, vc é linda…pessoas sensíveis e sinceras são sempre surpreendentes!!!!!
Adorei o que diz Kel: não estava vazia; transbordava faltas!
Bjs a todos, especialmente na Aninha.
Poxa, é disso que o Mundo precisa, desse desprendimento de alma. Eu compartilho destas faltas. E fico muuito feliz em ler-te em nosso espaço da Alma.
Felicidades Ana.
Nossa… emocionada com as palavras de todos vocês, de CADA UM de vocês.
Quando recebi o convite da Tati, ao mesmo tempo que me senti honrada, pensei: será que estou a altura de tão seleto grupo de retratistas da alma?
E de repente recebo esta acolhida tão aconchegante, tão confortante, tão estimulante.
Só tenho a agradecer e retribuir o carinho!
Lindo, lindo, lindo!
Também sinto essas faltas…
Muitas vezes, parece que não existe “Eu”, pois estou sempre com alguém, em alguma situação!
Todos os dias costumo, à noite, depois que chego em casa, ficar trancada sozinha no meu quarto, só pra me sentir um pouco!
Um beijo e seja muito bem vinda!
Muito linda me localizei nestas palávras tão tocantes… Parabéns Ana.