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Retratos da Alma
Tatiana Kielberman

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Quando as amarras caem… – Por @biatannuri

O sonho de toda criança é tornar-se adulta, para como isso conquistar a tão almejada independência e o domínio da própria vida. Mas, elas não têm a consciência de que, atrelado ao prêmio da conquista, talvez percam o que possuem de mais precioso: a inocência e a espontaneidade.

Triste preço o que se paga para sair da infância e ingressar no reino dos “sábios” da maior idade. Mas a peculiaridade dos primeiros anos de vida não está perdida, apenas adormecida em algum lugar do temido inconsciente dos que já cresceram, e reaparece tão mais que de repente quando o mesmo inconsciente trai a quem pensa a ele dominar. Nessa hora, afrouxam-se as amarras que sustentam o efêmero corpo de proteção criado, para a vida adulta poder suportar, fazendo com que as fragilidades pertencentes ao mundo distante da velha infância “esquecida” aflorem como nervos expostos sensíveis ao toque dos sentimentos mais profundos.

É quase que prazeroso ter os “alicerces” construídos com tanto empenho e “certeza” abalados para poder desfrutar de momentos, cada vez mais raros, avessos ao do curso de perenidade de equilíbrio imposto à vida adulta. O quase é ponto-chave de tal afirmativa, visto que o prazer, por mais prazeroso que venha a ser, é visto como sendo um deslize, não pertencente à vida madura. Dessa forma, tem que ser disfarçado, sentido meio que sem querer para rápido poder recuperar as amarras, que por um lapso se deixaram apanhar pela fragilidade infantil, e a vida de seriedade continuar a seguir.

Mas, será que é isso mesmo que tens que fazer? Aprisionar a criança que há dentro de ti, que luta ferozmente para sair e compartilhar da vida adulta tão almejada?

Será que o Ser maduro julga o Ser criança desapropriado para da vida madura poder participar? Ou será medo de que esse Ser tão simples e direto te aponte o quanto de tua essência tens te afastado?

Será que não podem juntos conviver? Um com a seriedade necessária à vida adulta e o outro com espontaneidade infantil que alivia e atenua o rigor do mundo dos de maior idade?…

Será que esqueceste que dentro de ti há espaço para todos os teus “eus”, que não precisas matar um eu para que o outro tome seu posto?

És vários dentro de um só…

4 Respostas to “Quando as amarras caem… – Por @biatannuri”

  • Não precisa separar, hoje mesmo estava brincando com as nuvens, uns achariam tolo e outros brincariam juntos.

    Podemos rir ou chorar como crianças, ainda prefiro o primeiro :)

    Beijos Bia e uma linda vida, leve e adocicada “qui nem” algodão doce!

  • Bia tannuri disse:

    É isso ai Joaaquim!
    Podemos viver para sempre com todos os nossos “eus”, tem espaço para todos…

  • Tatiana Kielberman disse:

    Bia, querida!

    Muitas vezes, passamos bastante tempo de nossa trajetória presos a algo que quase nunca sabemos nomear ou reconhecer…

    Em alguns momentos, até compreendemos que essa prisão nos impede de realizar sonhos e correr atrás de nossas metas mais íntimas. Porém, ainda assim, o que conseguimos fazer, na maior parte do tempo, é paralisar…

    Que bom que existe a reflexão e a chegada de novos rumos para modificar esse panorama, mesmo que demore!

    Adoro as lições trazidas por você e sou muito grata por estar aqui…

    Beijos, parabéns!

  • Bia tannuri disse:

    Querida Tati,

    Eu é que sou grata por poder ter este espaço para poder dividir minhas reflexões sobre a vida com vocês.

    Obrigada!

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