Textos de junho, 2012
Quadro #11 – Por @poetadacolina
Toda vez que faz frio, parece que faz saudade. Encolhe-se, esconde-se, o passo é curto, o vento é rápido. Eram casacos pretos, cinzas, marrons… passou a época. Hoje mais cores passeiam pelo gelado concreto. Mesmo assim tudo parece desbotar em meio à neblina, tudo fica turvo por trás da chuva fina, e os corpos e [...]
Aos meus amigos – Por @lunnaguedes
“As pessoas são minha paisagem favorita.”
– Maria Adelaide do Amaral
Estava aqui, sentada na varanda, observando as cenas humanas de uma cidade considerada “tão pouco humana” – ouvindo Claire de Lune de Debussy, quando me lembrei de um velho livro que já nem tenho mais comigo, infelizmente: “Aos meus amigos”.
Escrito por [...]
Noite – Por @helenyg
Noite, escura e não silenciosa.
Há um muito de vida na noite,
Como beleza escondida dos olhos.
É à noite que transformo
Meu desespero em esperança,
Misturando estrela, lua e eu.
Noite em que me calo, sem palavras,
Todo o desespero de meus erros,
Toda a vida que me foi dada para cuidar e, em seguida, roubada,
Deixou o gosto da impossibilidade.
Noite onde guardo [...]
Pintando sorrisos… – Por @heliabh
Fiquei pensando na delicadeza
Com que certas pessoas
Entram em nossas vidas,
Como aquela brisa suave e morna
Que balança os cabelos da gente
Num fim de tarde de outono.
E vão perfumando nossos dias
Com um doce aroma de alegria,
De bolo quentinho recém-saído do forno,
Que deixa a casa inteira
Com cheirinho de infância feliz.
Fiquei pensando nos motivos
Que levam algumas pessoas
A chegarem mansamente,
Aquietando [...]
Do nosso amor a gente é que sabe – Por @RosamariaRoma
Dentre todos os caminhos que trilho, alguns meu corpo reconhece de súbito, culpa deste teu sorriso que flertou com o meu olhar perdido, e deste teu perfume, que embriagou minha alma que, há tempos, te esperava.
Sei dos meus devaneios, dos meus sonhos e de minha necessidade, sei de mim, sei de nós, sei do quanto [...]
Um poema que não cessa… – Por @tatikielber
Tenho saudade do tempo em que escrever
Soava, para mim, como nota envolta em melodia
Em cada ato havia ritmo, palavras esbanjavam métrica
Sem tamanho medo de errar nem rastros de confusão
–
Sinto falta das intermináveis horas ensaístas
Manhã, tarde e noite em prol das dóceis letras da estação
Tudo era poesia, leveza, serenata de cores
E eu, dançante, buscava a mim [...]
A carta – Por @taekwonmaster
Assim te escrevo uma carta
para que você possa
guardá-la, rasgá-la, queimá-la ou aguá-la
uma carta
que já chega molhada
podendo fazer o que eu não fiz
chegar de viagem sem ser esperada
com certeza de não ser mandada embora
pois a ela
não foi pedido que nunca fizesse isso
permitida encostar nos seu seios ou dormir no meio das pernas
ter o poder de entrar [...]












